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ABRANHI – Associação Brasileira de Narcolepsia e Hipersonia Idiopática

Tratamento

30 de março de 2026

Aqui está um panorama completo e atualizado dos tratamentos disponíveis para narcolepsia em três regiões do planeta: Na América do Norte, na América do Sul e na Europa.


🌍 Tratamentos para Narcolepsia: América do Norte, Europa e Brasil

Como funciona o tratamento

Os tratamentos para narcolepsia visam três frentes: melhorar a vigília (ex.: modafinil, armodafinil, estimulantes), reduzir os ataques de cataplexia (ex.: oxibato de sódio, venlafaxina), e tratar os sintomas do sono noturno fragmentado, paralisia do sono e alucinações (ex.: oxibato de sódio). 


🇺🇸🇨🇦 América do Norte (EUA e Canadá)

A FDA possui um arsenal relativamente amplo de medicamentos aprovados:

Promotores de vigília (sonolência diurna excessiva):

  • Modafinil (Provigil) e armodafinil (Nuvigil) são os estimulantes de primeira linha para a sonolência diurna excessiva, ao lado de estimulantes tradicionais como metilfenidato e anfetaminas. 
  • Pitolisant (Wakix): Aprovado pela FDA em agosto de 2019 para tratamento da sonolência excessiva em adultos com narcolepsia, na faixa de 17,8–35,6 mg/dia. É um antagonista dos receptores H3 de histamina. 
  • Solriamfetol (Sunosi): Inibidor da recaptação de dopamina e norepinefrina, também aprovado pela FDA.

Para cataplexia e sono noturno:

  • Oxibato de sódio (Xyrem): Aprovado pelo FDA para cataplexia e sonolência diurna, é considerado o tratamento de primeira linha pela maioria das diretrizes internacionais.
  • Oxibato de sódio de dose única noturna (Lumryz): Uma formulação mais recente, de tomada única à noite, já aprovada pela FDA.

No horizonte — grandes novidades:

  • A FDA aceitou o pedido de aprovação e concedeu revisão prioritária ao oveporexton (TAK-861), da Takeda, um agonista seletivo do receptor de orexina 2 (OX2R), para o tratamento da narcolepsia tipo 1. A data-alvo para decisão da FDA é o terceiro trimestre de 2026. 
  • O oveporexton é projetado para restaurar a sinalização de orexina e tratar a deficiência subjacente que causa a NT1 — diferentemente dos tratamentos atuais, que apenas gerenciam os sintomas. 
  • alixorexton, da Alkermes, recebeu designação de Breakthrough Therapy da FDA. Em ensaio de fase 2, o medicamento atingiu seu desfecho primário em todas as doses testadas, com melhoras significativas em vigília, sonolência, fadiga e cognição. A fase 3 estava planejada para início em 2026. 

🇪🇺 Europa (EMA)

O arsenal europeu é semelhante ao americano, com algumas particularidades:

  • Modafinil, metilfenidato e oxibato de sódio também são amplamente usados como base do tratamento.
  • Pitolisant (Wakix): Aprovado pela EMA para o tratamento da narcolepsia em adultos com ou sem cataplexia, na faixa de 4,5–36 mg/dia. O pitolisant tem aprovação europeia antes mesmo da americana, e é especialmente valorioso por não ser uma substância controlada.
  • Solriamfetol também está disponível na Europa como tratamento para sonolência excessiva.
  • A EMA aprovou o oxibato de sódio tanto para NT1 quanto para NT2.

Na Europa, o pitolisant é frequentemente preferido por médicos que buscam evitar as restrições regulatórias dos estimulantes mais tradicionais.


🇧🇷 Brasil

O cenário brasileiro é marcado por uma lacuna significativa em relação ao que está disponível internacionalmente.

O que está aprovado pela ANVISA com indicação em bula para narcolepsia:

De acordo com o consenso da Associação Brasileira do Sono (2021), os únicos fármacos disponíveis no Brasil com indicação registrada em bula aprovada pela ANVISA para narcolepsia são a modafinila e o metilfenidato de liberação imediata

  • Stavigile (modafinil) e Nuvigil (armodafinil): dose entre 100–400 mg/dia em duas tomadas, para modafinil, ou de 150 mg a 250 mg ao dia para armodafinil. Metilfenidato: dose entre 10–60 mg/dia em duas a três tomadas. Para tratamento de cataplexia, como uso off-label, antidepressivos são a alternativa disponível no controle desse sintoma. 

Oxibato de sódio — o grande gap:

O oxibato de sódio não possui registro comercial na ANVISA, mas desde 2019 é reconhecido como substância experimental e está autorizado para estudos clínicos. Além disso, é permitida a importação em caráter excepcional para tratamento individualizado de condições graves, mediante prescrição médica fundamentada. 

Via importação, o custo médio para um mês de tratamento com oxibato gira em torno de R$ 14 a 21 mil. Não há fabricantes locais — a patente do oxibato já expirou, mas o desinteresse comercial da indústria farmacêutica nacional impede a fabricação local. 

Pitolisant, solriamfetol e armodafinil — nenhum dos três está registrado ou comercializado no Brasil.

A modafinila não consta na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME 2024) nem na lista de medicamentos padronizados do Ministério da Saúde, não havendo protocolo específico para sua liberação pelas Secretarias Estaduais de Saúde.


Resumo comparativo

MedicamentoEUAEuropaBrasil
Modafinila✅ (ANVISA)
Metilfenidato✅ (ANVISA)
Oxibato de sódio⚠️ Importação excepcional
Armodafinil
Pitolisant
Solriamfetol
Oveporexton🔜 (revisão FDA 2026)🔜

O Brasil encontra-se em uma posição de desvantagem considerável no acesso a tratamentos modernos para narcolepsia. A judicialização da saúde para obter oxibato de sódio pelo SUS ou plano de saúde é um caminho que muitos pacientes têm percorrido, e organizações como a ABRANHI têm papel fundamental em orientar esse processo.