A narcolepsia é uma doença mais séria do que parece, e uma das maiores tragédias de quem vive com ela é justamente a demora para ser levada a sério. O tempo médio para receber o diagnóstico correto gira em torno de 10 anos — uma década inteira de sofrimento sem nome, sem tratamento, sem respostas. Isso acontece em grande parte porque a sonolência excessiva diurna, que é o principal sinal da doença, é pouco específica e acaba sendo ignorada ou atribuída a outras causas. Muitos médicos simplesmente não reconhecem a narcolepsia no consultório.
O problema vai além da falta de atenção: a narcolepsia frequentemente é confundida com TDAH, epilepsia e até esquizofrenia, sendo por vezes diagnosticada de forma inadequada. Pacientes são rotulados com transtornos psiquiátricos ou neurológicos enquanto a causa real permanece sem diagnóstico. Eventos como o de Florianópolis existem exatamente para mudar essa realidade — para capacitar profissionais, empoderar pacientes e familiares, e fazer com que menos pessoas esperem anos para finalmente ouvir: “isso tem nome, e tem tratamento.”
